quinta-feira, 22 de março de 2012

Nota sobre março.

Quantas vezes você acredita ter ou possuir aquilo que jamais foi dono? Quantas vezes você se engana e pensa que possui um lugar importante na vida do outro, quando na verdade está a substituir alguém ou retirar um pouco do tédio?  A sensação de descobrir pouco a pouco que a construção de um sentimento (seja ele qual for) não passou de uma ilusão dói muito mais do que se entregar à certeza dele e mais tarde se decepcionar. Pois quando no segundo caso, você pelo menos viveu aquilo e foi verdade enquanto existiu. Sempre pensei que as pessoas (pelo menos as que estiveram sempre comigo durante muito tempo) pudessem ser sinceras e fossem capazes de olhar no meu olho para falar a verdade. Que ilusão tola!
Mas agora, recolho-me para dentro de mim. Já limpei toda a bagunça que esses anos cheios de ilusões me trouxeram. E estou pronta pra recomeçar. Não é um ressurgir das cinzas, porque para existir cinzas supõe-se fogo e ao contrário disso; o que pude provar esse tempo todo foi unicamente gelo. Mas está tudo bem agora. Ou pelo menos creio que esteja. Se amanhã eu vier a lamentar, que isso faça parte de um processo de limpeza e restauração. É como quando necessitamos limpar a casa, mas para isso precisamos jogar fora papéis velhos, revistas passadas, livros rabiscados e canetas que falham. E ainda assim sentimos nostalgia ou quem sabe medo de desprender do que fomos por tanto tempo conseguinte. Perder certezas é realmente algo doloroso.
Pouco a pouco eu irei refazer a casa. Pouco a pouco eu colocarei coisas novas e quem sabe até esperanças. Por agora eu só tenho uma convicção: não preciso e nem quero voltar atrás. Quero ir em frente e não posso desistir dessa mudança. E veja só como estou decidida e pronta para não pestanejar. Veja só como por tanto tempo só precisei desta coragem. E ela sempre esteve aqui, mas só agora pude vê-la. Vou usá-la finalmente!

quarta-feira, 21 de março de 2012

O que sempre quis ter.

Hoje chorei lendo um poema de Clarice. Parecia que não era eu porque já o tinha lido tanto, mas nunca sentido algo parecido com o que senti. Devo ter encontrado a alma do poema. Mais do que isso, me encontrei nele. Ando tão sentimental, precisando de tanto afeto, tanto amor, e tanto carinho que ontem ao abraçar minha mãe senti uma paz que nunca tinha sentido. Talvez eu não tenha notado, mas a minha paz está bem do lado, na terceira porta deste corredor onde está meu quarto. Demorei tanto tempo pra encontrar razões e quando as achei elas se tornaram vãs. Sempre quis decretar finais dentro de mim, e quando finalmente declaro o primeiro final, sinto-me precisando de um novo inicio. Será que aprendi a me aceitar como sou? Ou vivo tentando desenhar alguém que todos querem ter?
Minha mãe de certo me aceita como sou. Ela me conhece tanto que percebe quando vou deixando de ser ou apenas começando a ser o que sempre fui. Sabe o que mais gosto de comer, minha cor preferida, meu modo de vestir, meu numero de sapato, meu grau de óculos. Ela sabe até como vai o meu nível de açúcar no sangue ou meu colesterol. Sinto isso quando ela pede pra que eu diminua os doces, ou coma menos gordura.
É um peso enorme saber que temos quem mais amamos finalmente. Dói imaginar o quanto tempo perdemos para descobrir isso. E eu desejo fielmente, que isso não aconteça com você.
Poderia ser pior se caso eu só tivesse descoberto isso depois que ela tivesse ido. Oh Deus, obrigada por essa conscientização. Não pense que fui uma filha péssima, que nunca fiz nada de bom para minha mãe. Pelo contrário, acho que fui uma filha razoável. OU medíocre, tanto faz. Não sei como definir a linha de quem sempre teve tudo o que quis, mas só com a maturidade entendeu o que realmente precisava.
E eu preciso dela. Preciso imensamente do abraço dela. Um abraço com um poder de cura. Um abraço que de tão enorme, cabe meus defeitos e qualidades. Cabe o meu pior se confundindo com o meu melhor, porque mãe nos vê com olhos mais santos. Olhos que não enxergam defeitos. Porque mãe é mãe. Preciso dizer algo além desta imensa palavra de três letras? MÃE. Soa como uma canção leve. Soa como compreensão. Soa como refúgio. E finalmente soa como o amor.
Ainda bem que Deus nos confiou à essa guardiã. Ainda bem que por um bom tempo não precisamos nos preocupar com roupa lavada, comida feita, água e luz pagas, par de meia dentro do tênis, o ponto certo do açúcar no café, o tempo do bolo no forno. Porque mãe sabe isso de cor. Mãe sabe tudo. E sabe até quando não sabe, porque pressente. Esse amor que ela tem dentro do peito a coloca em sintonia profunda com Deus.
É uma pena não ser eterna. É uma grande pena. Aliás, é uma tragédia. Mas desejo que eu possa amá-la a cada dia. Desejo entender seu papel de protetora quando abre meu guarda roupa, quando lê minhas correspondências, quando liga pro colégio, quando me acorda pro almoço em pleno domingo. Desejo um dia também sentir esse amor por alguém. Desejo ser  santa assim como uma mãe. Desejo que a minha esteja comigo todos os dias. Desejo encontra-la até quando eu não puder mais vê-la. Para você mãe, todo o meu amor. Obrigada por ter me tornado o que sou. Obrigada por entender meu grito de agonia dentro do silêncio do meu olhar. Amo-te.
21/03/2012

terça-feira, 6 de março de 2012

O que vi de mais perto do amor.

Eu te dei tudo e em troca não te cobrei nada. Eu estava disposta a ser teu calor, ser teu ar, teu verbo, teu pulsar; e ainda assim não queria nada de volta. Entreguei-me a esse amor como uma criança, joguei-me sem me conter, sem me reservar. Eu desejava ser somente tua e acordar ao teu lado todos os dias. Sentir teu cheiro e desejar saúde sempre que você espirrasse. Queria ser feliz.  Então foi aí onde percebi que só seria feliz me doando dessa forma para você. Não impus limites, não me guardei pro dia seguinte. Eu deixaria tudo por você. E creio que deixei muito por você.
Tantas vezes desejei você ao meu lado. Segurar tua mão, enxugar teu choro, apertar tua solidão. E tu, o que me destes além de ingratidão?
Mesmo sem esperar nada de você, nunca pude imaginar que serias tão egoísta. Eu tive que recolher apressadamente meu amor como quem recolhe as provas de um crime ouvindo a sirene da policia. E também com o mesmo desespero. Veja só: tudo o que eu tinha e conhecia de amor, te dei. Tu não hesitaste em me ferir. E eu também não hesitei em te perdoar.
Acho que ainda lhe amo. Não com tanta força, com tanta paixão, com tanto desejo. Mas amo com aquele sopro quente quando escuto teu nome. Ainda me desconcerto toda quando me perguntam de ti. Ora revolto-me por não ter te esquecido por completo. Ora me orgulho de um dia ter conhecido o amor. Você foi o que vi de mais perto do amor. 
Amei-lhe da maneira mais simples e também profunda. Foi como ver o mar e não poder mergulhar. Foi como ver o navio partir e de quebra perder o cais. Foi como ver o arco-íris e não poder alcançar o pote de ouro. Mas não me arrependo. Amei e amaria outra vez. Mas só amaria você. Porque de tudo o que já tive apreço, só consegui te amar porque nunca pude te ter. 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dolorosamente doído.

Sabe amigo, os dias por aqui não estão sendo nada fáceis. Além desses rompimentos todos diários, desse coração tão apertado, desse choro contido, eu tenho investido muito em quem não merece nada. Eu sei que não devemos pensar em desistir, que não devemos entregar as contas. Mas está tudo tão difícil, que tenho medo de não suportar tudo o que vem acontecendo. Tenho medo de não ir mais longe por ter sido tão prejudicada no passado. Penso que existem coisas muito além de tudo isso, mas outras vezes penso que tudo o que tenho já me foi abortado. Sinto um enorme medo de não ser feliz. De não sentir-me completa, abastada. Existe um vazio aqui, uma saudade, uma falta.
Eu poderia camuflar essa dor com sorrisos abertos no rosto, mas sei que é inútil. Portanto dispo essa dor como quem tira a roupa de uma pessoa que se deseja há muito tempo. Quero me cortar, sangrar e se não for o bastante; quero também senti-la bem aqui, estancada no meu peito como se fosse um punhal. Dói. Dói muito. Não tenho forças pra sorrir ou mentir que está tudo bem. Quero dizer que há muito tempo o meu riso se perdeu e as minhas esperanças decidiram se afastar de mim. Parece ser dramático demais, mas é a pura verdade. Parece uma cólica no coração, uma vontade de vomitar toda essa tristeza, de encontrar alguém que compreenda toda essa dor, toda essa saudade de mim. Faz muito tempo que não me reconheço.
Não vejo mais no espelho de agora o meu eu de antes. Uma penumbra separa a minha imagem verdadeira de mim mesma. Não tem saída. Não tem solução. Vou tomar todos os remédios possíveis para sentir um pouco de sono; pois enquanto durmo esqueço essa dor. Isto é, quando ela não decide vir em sonho me atormentar. Mas irei ficar bem. Irei voltar inteira e ainda mais forte. Deixe estar. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Castelos de areia.



Existem coisas que só se sentem quando se está de frente pro mar. De repente, me veio uma lembrança boba de quando estivemos aqui no último verão. Um dia falaram-me em esperanças. Que elas estavam dentro da gente e bastava apenas acioná-las quando necessário. Se existir algo que aciona todas as minhas esperanças, esse algo é estar diante o mar. Sinto-me tão leve, tão feliz, tão perto de Deus quando olho esse horizonte. Lembro-me da infância toda presa nesse cartão postal. Por onde você anda agora? Tem o mesmo rosto, o mesmo coração, o mesmo ar de sempre?
Meu coração encontrou esperanças bem aqui, de frente pro mar. E ironicamente, eu vejo você também diante dele. As conchas...  Os castelos de areia sempre tão fáceis de serem levados pelo vento. Acho que somos assim: Castelos de areia. O vento desmancha e leva; Dispersa. Ficam tantos grãos no ar quando o vento bate. E com a gente, ficam as sensações; os sentimentos. Quem sabe um dia esbarremos nelas de novo. Deve haver algum nexo entre o lugar que resolvemos construir nossos castelos de areia e decidimos enterrar nossas conchas. Parece bobagem, mas quando o assunto é castelo de areia continuamos crianças. Digo: Sem saber onde construí-los bem. O destino é quem tece pra gente tudo isso.
Continuo boba. Continuo encontrando esperanças diante do mar. Acredito que um dia reconstruirei meu castelo e desenterrarei minhas conchas. Mas, entendo que o mar jamais será o mesmo. E eu também não serei a mesma quando voltar. O vento assim como Deus sabe bem o momento de levar esses castelos embora. E aprender a deixar as conchas para trás é sinal de que na frente –quem sabe- encontraremos algo mais grandioso e verdadeiro.
Agora eu apenas sinto a brisa leve. Tento não chorar. Vou apenas perdendo meu olhar nesse azul tão imenso. Serei feliz, tenho certeza. Sussurro sutilmente aqui dentro: serei feliz. E continuo vendo mais ventos levando castelos... 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Revoltei-me!

                                                               Revoltei-me! 
E se eu fosse você também se revoltaria. Se revoltar com a vida que você leva, com a maneira melancólica que você enfrenta os fatos faz com que você enxergue que a vida é muito mais do que isso e você pode ser feliz sem aquilo que julga tão necessário. Sem dramas por favor. Pelo menos agora, nessa fase, nessa época, eu não serei dramática. Estou facilitando tudo quando minimizo os problemas e encaro de frente as soluções. Muitas vezes é preciso perder um pedaço para que se possa dar valor ao restante que ficou em você. Será assim daqui pra frente. Sem dramas, sem expressões tais como: "eu acho que vou morrer". Estou trocando essa dramatização toda por aquela sensação que diz:. Foi ótimo, obrigada. Mas por você, eu não posso mais fazer o mesmo. Beijos, adeus.
Quero descobrir um novo horizonte, e desta vez sem ameaças. Foi bom enquanto durou.

Primeiros dias sem você


Tento dormir. Quando finalmente deito-me e fechos os olhos, a tua ausência me vem como um peso e eu acordo subitamente com uma enorme falta de ar. Me falta tudo agora. Eu não estou querendo dizer que você é a razão da minha vida, mas pelo menos com você eu conseguia dormir mais tranquila. É muito difícil sem você. Me davas coragem, me davas cor, me dava brilho no olhar. E hoje, o que eu tenho não é nada mais que um quadro velho pendurado na parede, e quando tenho coragem de olhá-lo vejo nossa imagem preto e branco parada no tempo, e principalmente congelada na minha mente. Ainda tenho lágrimas, e isso até me conforta. Será amargo quando elas faltarem e eu só sentir um nó na garganta. Volta pra cá. Eu não te pedi na carta, mas agora, o desespero é tanto que te peço muito, VOLTA!
Os meu sorriso não é mais o mesmo. Você faz uma falta daquelas que traz desespero. Daquelas que tira o sono. Daquelas que você pede pra não lembrar antes de dormir, porque caso aconteça, é noite em claro na certa. Perdemos tanto tempo não fazendo, nem dizendo o que sentíamos pelo outro que hoje estar longe de você não dói tanto quanto não ter tido a oportunidadede ter lhe falado que amor de verdade, eu só senti com você.
Aquela frieza na barriga e aquela ansiedade esperando o telefone tocar, eu só senti com você. Posso me sentir feliz por ter descoberto isso, ou posso ficar triste por não ter materializado tudo isso.
Essa é só mais umas das imensas noites que passei e vou passar em claro pensando em você. Em como você está, como foi o seu dia. Cuide-se porque você é aquilo que encontrei de mais precioso. Você e essa sua ternura, que de tão terna me trazia calma.
Amo-lhe, mas odeio essa falta que você faz. Quero você por perto de novo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Para começar Janeiro.

Já imaginou se existe algo mais doloroso do que nadar sem ver terra alguma?
 Pior que existe.
 Aquela sensação de que a tempestade já tivera acalmado você vai lentamente recolhendo os destroços do navio e de repente, surge uma nova tempestade e te afasta do solo firme mais uma vez.
Você até pensou que tivesse finalmente inteira mais uma vez, mas percebeu que ainda se há muito por remendar e consertar. Dói muito. Dói mais do que nunca ter visto horizonte algum. Esperanças despedaçadas doem mais do que não ter tido jamais esperanças. É como se a ferida agora, além de aberta mais uma vez, estivesse inflamada, estivesse corroendo o pouco de carne que ainda havia sã.
Meu Deus, quantas vezes eu tive que recomeçar, e quantas vezes eu pensei que já não haveria mais dor e eu poderia ser feliz?!! Parece que me persegue a sina de ser sempre triste, de sempre ter algo faltando aqui dentro; e isso é de longe a coisa mais melancólica que conheço.
De perto então, nem se fala.
Mais uma vez me ponho a escrever. E desta vez quero me rasgar por inteira. Sinto um enorme desespero, uma falta de ar como se o mundo estivesse se fechando em cima de mim e eu não tivesse lugar algum pra correr ou ficar em paz. Não sinto mais necessidade de ser feliz. Essa solidão, essa ausência de tudo e todos me fez ficar sóbria, sem luz alguma. Dói tanto e eu não posso fazer nada para estancar esse sangramento.
Ou melhor; ninguém pode.
Já não escrevo cartas pra ninguém, não coloco nele, nem em pessoa alguma a responsabilidade por este sentimento. Isso já está dentro de mim, eu já não consigo ver alegria alguma. É como se fosse um braço amputado, e diria que é o direito; Aquele que mais me é útil. Uma sensação de nada, de vazio, de busca pelo não sabe o quê, é o que me deixa ainda mais no fundo do poço.
Mas agora, e não em outro instante me sinto aliviada. Acho que colocar em papel aquilo que gostaria de gritar para o mundo inteiro, me faz sentir um pouco melhor e menos motivada a morrer. Espero que seja uma boa noite. Que eu durma pelo menos hoje depois de tanta insônia que me persegue. Nem desejo acordar melhor. Espero apenas acordar com vontade de viver.

domingo, 21 de agosto de 2011

Carta ao meu ex-amor.


Londres, 25 de Janeiro de 2010.
Ao meu ex amor, mas grande colaborador de felicidade aos meus dias.

Estive por muito tempo, pensando numa maneira clara e evidente de te dizer o quanto foi bom, e o quanto você me ajudou a encontrar a mim mesma, e o quanto você fez com que eu entendesse sobre mim. Quis te dizer também que o pouco que estivemos juntos foi imensamente maior que todas as outras paixões que um dia avassalaram meu coração, que você marcou e ainda hoje de vez em quando me pego pensando em seus beijos. Gostaria de te pedir que não esquecesse o que vivemos, e que fizesse o possível para preservar nossas boas lembranças num lugar intocável, num lugar colorido, mas que, por favor, seja sem esperanças. Isso porque nós já tivemos nossa chance: eu de fazer você feliz e você de me completar.
E agora que essa chance acabou o que podemos fazer é lutar para que nossa história não seja só mais uma no cordel de tantas que já penduramos na janela do quarto, que ela seja a mais doce e a mais linda. Queria te pedir um favor, não deixe que o sol seque nossa história, nem que os ventos tirem a magia bonita que ela nos trouxe, pois ao poucos durante o tempo que ficamos juntos, comecei a acreditar levemente que se pode ser feliz com muito pouco, e essa tal magia não quero jamais que se perca de nós dois.
No mais, quero te dizer que foi bom, nós dois, nossos beijos, nossas conversas, nossos abraços, nossas noites na varanda, nossos pôr de sol, foi fantástico o tempo que estivemos e tivemos juntos. Me guarde como um sonho bom, que eu te guardo assim também.


Beijos, e que a vida te dê de presente um novo amor com cheirinho do mato!

domingo, 19 de junho de 2011

As consequências de sua ausência.

E agora, o meu corpo todo dói. Mas outrora ele estava em êxtase.
 Era sempre assim depois de nossos encontros na beira do lago. Mas naquele dia, não foi um encontro qualquer. Queria eu, que não fosse o último, mas vejo que o destino não mais nos aproximará. Passamos longos instantes vendo o horizonte, nos enxergando naquela limpidez da água, e nos beijávamos por longos minutos. Pudera eu imaginar que um dia eu voltaria aqui sem você? Como é diferente o verde das arvores, como é melancólico os cantos dos pássaros sem você para me fazer rir. Parece que também já não sou mais a mesma.
Já tinha parado de beber e de fumar por conta de você, mas agora o cigarro e o conhaque são os meus companheiros noite adentro. Mudei a cor do nosso quarto – corrijo - agora ele é só meu não é verdade? Eu o pintei de branco, e só irei colorir quando alguém chegar e preencher o vazio que me deixastes.
Mas que tola sou eu, quando imagino que realmente virá alguém que poderá preencher esse vazio. Leio e releio todas as nossas cartas de amor todas as madrugadas, e quando elas não são o suficiente para te trazer pelo menos em lembrança para perto de mim, eu ligo a TV e choro até com comercial de margarina. De manhã ao acordar, evito passar perto do lugar que você sentava para ler o jornal, parece tanto com você e seu suéter azul aquele lugar que eu resolvi não mudar, quem sabe um dia acordo e encontro você sentado.
Ainda freqüento aquele mesmo restaurante italiano. É tão engraçado quando o garçom me vem com duas taças e nosso vinho predileto, e me pergunta tão cordial se não terei companhia. Em resposta sorrio negativamente, mas por dentro eu desmorono. É estranho não te ter mais por aqui.  Uma vez por curiosidade eu contei os maços de cigarro que fumei numa só noite, e me pareceu passar dos dez. Nem lembro ao certo, eu estava bêbada e louca.
Quando você se foi, imaginei que iria mudar meus hábitos, que poderia ser livre, voltaria a caminhar, a malhar, iria trabalhar em paz sem me preocupar onde e com quem você estava. Isso é bobagem porque em nada mudou, eu continuo a imaginar onde e com quem você está. Só que desta vez, sei que estás longe.
Nos intervalos do trabalho eu retiro da bolsa o celular, digito seu número, mas me sinto incapaz de ligar. Sinto-me pequena, talvez pelo orgulho, pelo medo de como será seu retorno, não sei te explicar, mas eu gostaria, e muito que você voltasse.
Sabe Deus o que sua ausência me causou, o quanto eu tenho gastado em analistas, psicólogos, bares, boates e etc. Para compensar sua falta. Um absurdo engano meu, no fundo de mim sei que nada te trará de volta, e muito menos te substituirá. 

sábado, 18 de junho de 2011

Para grandes amigos.

Amigos. Eles são elos. Elos que nos ligam aos bons tempos, boas memórias, nos lembram como fomos felizes em determinadas épocas da vida e até mesmo o quanto aprendemos com aquelas lágrimas que foram derramadas nos seus próprios ombros em noites frias e escuras. Me conte(basta imaginar mentalmente) como foi a descoberta de suas primeiras amizades, quais delas ainda hoje perduram? O que você realmente fez para que essas amizades ainda existissem? Quantos amigos você perdeu? Quantos o tempo levou?
Eu poderia dizer dos amigos, que eles são anjos. Anjos que Deus no envia para tornar a vida mais leve, mais engraçada, mais fácil de ser vivida. E ainda poderia arriscar no palpite de que amigos são pessoas que sempre existiram conosco por se tratarem de extensão nossa, seja pelos mesmos gostos, por possuírem qualidades ou defeitos agradáveis que em nós nos falta, e mesmo assim continuam admirados por nós. E por isso também, são essência. Essência que perfuma a vida, essência que nos mantém acordados, vivos e sempre nos sacodem quando queremos desistir. Eles confabulam conosco, tramam, perdoam, choram, ajudam, mostram, indicam, perseguem, transformam, nos fazem bem. E tudo isso com a maestria de jamais perder a graça, de perder o entusiasmo.
Eles nos fazem parecer jovens mesmo quando as rugas apontam os anos, e nos fazem sentir bobos quando os cabelos brancos insistem em despontar. Amigo é alguém que admiramos, queremos o bem, torcemos, desejamos. Alguém que mesmo sem falar uma palavra, entendemos o que passa dentro da alma. E por isso talvez sejam tão necessários.
 Falar de amizade,  é falar de porto. Porto seguro, que não quer saber se a sua embarcação está furada, é grande demais ou pesada, apenas te diz por meio de um olhar: Estou aqui.  Uma espécie tão rara nos dias de hoje, que chego a pensar que conservar os velhos é o remédio antidepressivo melhor que existe para a modernidade, e para mim o mais recomendado também.
Porque amigos nos fazem rir, nos fazem sentir amados, protegidos, nos fazem sentir humanos, nos fazem sentir gente quando num mundo de pessoas sempre tão apressada e correndo contra o tempo, ninguém é capaz de te olhar nos olhos e observar como você está. As pessoas te olham superficialmente, isto é, quando olham.  Basta imaginarmos, como seriam os nossos amores, se antes eles também não fossem nossos amigos. Um amor não é só beijo, abraço, sexo, anos de relacionamento, amor é amizade. E digo,amizade é exemplo sincero do amor senão mola propulsora deste.
E por isso digo, se tens um amigo, nem que seja um único só, o preserve. 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Passado é passado, desejos nem sempre são o melhor para nós.

O que julgamos justo e desejamos para nós nem sempre é aquilo que Deus quer que aconteça naquele momento. Desespero, lágrimas, dor, saudade, nada disto fará com que o tempo volte ou o que você desejou aconteça. Acostumar-se com os giros que a vida dá é primordial para se transformar um adulto feliz e realizado. Não tenha pressa, e nem se deixe titubear quando a vida não te permite algo. Deus tem sempre algo de bom reservado pra você. O que passou calou, e o que virá dirá! Quem está no seu passado tem motivos suficientes para não estar no seu presente.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Hora de refazer as malas.

Então você joga fora tudo o que não te serve mais, todo aquele baú de coisas que só servem para te trazer lembranças, que mesmo sendo boas te impedem de viver o presente. Você desfaz as malas e tira a roupa de inverno que tinha colocado, porque agora vai fazer calor, o sol vai brilhar mais forte. É aí que você perceberá que encontrou o amor, mas não o amor que se esvai, que se destrói, que te machuca, é um amor arco-íris, um amor que ao invés de te trazer mágoas, vai te presentear com um tesouro não de ouro, mas de felicidade. Você encontrou o amor-próprio, e ele é quem te guiará daqui pra frente.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vire a página.

Se por acaso acabou, vire a página. Não fique remoendo, não fique pedindo pra voltar, nem coloque em outra pessoa ou coisa a sua única chance de ser feliz. Você é independente, possui personalidade própria, e sempre que espera algo de alguém, a possibilidade de se decepcionar é muito grande. Quer chorar? Chora! Se despedace, grite, berre, mas não dê a outra pessoa o gosto de te ver mal, de te ver dependente dela. Quando encontrar a pessoa certa, você vai entender o porquê de não ter dado certo com ela. Enquanto isso não acontece, desliga essa televisão emocional, lê um livro, pratique um esporte, vá ao salão, se valorize, todo fim é novo início. Você tem que se dar a chance de tentar, de ir em frente, se isso não acontecer você vai estar sempre presa a quem já se libertou de você faz tempo. Não importa a circunstância, seja sempre mais você. No final das contas, você vai sempre aprender, sempre se auto-valorizar.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Algumas verdades.

Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoismo.
 
 Para qualquer escolha se segue alguma consequência.
 
 Vontades efêmeras não valem a pena.
 
Quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze.
 
Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível.
 
Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida.
 
O que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder pra aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos.
 
Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela.
 
Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado.
 
O tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.